China combate pirataria dos álbuns do Tintin

Publié le par Zetantan

O jornal «Diário de Notícias» publicou a seguinte notícia:

No ano em que se assinala o centenário da morte de Hergé, o criador de Tintim, os representantes oficiais da obra do grande desenhador belga na China têm como principal missão combater as cópias-pirata dos álbuns do imortal herói. E não é fácil, dado estarmos a falar do país onde a pirataria, mais do que uma actividade ilícita, é um modo de vida.

Segundo noticia o El País, é muito fácil, por exemplo, encontrar álbuns ilegais e truncados de Tintim nos mercados da zona velha de Xangai, "misturadas com jóias de jade e cópias de bolso do Livro Vermelho do Presidente Mao".

Muitas dessas edições plagiadas datam das décadas de 80 e 90 do século passado, e além de piratas, eram também clandestinas, já que as aventuras de Tintim não se publicavam na China.

Só em 2000 a Casterman, editora do herói de Hergé, e a editora chinesa estatal de obras infantis, a China Children Publishing House, assinaram um acordo e os álbuns de Tintim passaram a ser comercializados normalmente nas livrarias chinesas.

Desde aí, Tintim já vendeu dois milhões de exemplares na China. E não é surpresa nenhuma que o álbum favorito dos leitores chineses seja Tintim e o Lótus Azul, passado na Xangai ocupada pelos japoneses nos anos 30, e claramente simpático para com o povo invadido.

A seguir, está Tintim no Tibete, originalmente publicado com o título Tintim no Tibete Chinês. Um abuso que rapidamente foi corrigido, mas só após um veemente protesto dos herdeiros de Hergé.

Apesar das autoridades perseguirem sem descanso os piratas das bandas desenhadas de Hergé, tendo condenado um deles a cinco anos de cadeia, as cópias ilegais, de péssima qualidade gráfica e quase sempre a preto e branco, continuam a vender-se tanto ou mais do que as legítimas.

Segundo disse ao El País Wang Wue, de 40 anos, que se dedica a "proteger e difundir o legado de Hergé" na China, e está a trabalhar na primeira página oficial de Tintim em chinês, em parceria com a Moulinsart (www.tintin.com), que gere a Fundação Hergé, "para nós, Tintim representava a liberdade".

Wang tinha dez anos na altura da Revolução Cultural, e foi então que lhe chegaram às mãos as edições clandestinas das aventuras de Tintim. "Nessa época não podíamos sair da China. Viajar com Tintim era um sonho. O Congo foi a minha primeira viagem espiritual", revelou este antigo diplomata que preferiu dedicar-se ao mundo de Tintim a ir trabalhar no conforto privilegiado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O tradutor

Outro dos grandes fãs e conhecedores chineses de Tintim e da obra de Hergé é Wang Bingdong, professor de francês na Universidade de Pequim. A Casterman encarregou-o de traduzir todos os álbuns do intrépido repórter em chinês, para lhes dar unidade. Até agora, 16 tradutores diferentes faziam este trabalho. Segundo Bingdong, o mais difícil será encontrar equivalentes chineses para os insultos do capitão Haddock.

O único álbum de Tintim que nunca foi publicado em chinês foi Tintim no País dos Sovietes. O tema ainda é delicado demais para esta China encavalitada entre o socialismo autoritário e o capitalismo todo-o-terreno.

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Geraldes Lino 25/08/2007 21:36

São úteis e por vezes absolutas novidades as notícias que se podem ler neste blogue. Apenas uma correcção: no que se refere a Hergé, o centenário que tem estado sob comemoração tem a ver com o tempo decorrido após o seu nascimento,e não após a sua morte, como obviamente por lapso é indicado no "post".