Visão de Tintim adulto retirada das livrarias

Publié le par Zetantan

Tintim com vida sexual activa e sem Milú, morto de velhice, e transformado em paparazzo; o capitão Haddock caído no alcoolismo; o professor Tournesol internado num hospital psiquiátrico. Este é o quadro negro da vida adulta da personagem da banda desenhada franco-belga criada por Hergé em 1929, ficcionado pelo espanhol Antonio Altarriba no seu livro El Loto Rosa (referência a O Lótus Azul, um dos álbuns de Tintim) e publicado no ano passado para coincidir com o centenário do nascimento do autor.

O livro, formado por cinco ensaios sobre a personagem de Tintim, ilustrados por Ricard Castells e Hernández Landazábal, conclui com uma especulação sobre a existência adulta do herói, e não agradou aos herdeiros de Hergé, representados na sociedade Moulinsart, que detém os direitos da personagem.

Considerando que El Loto Rosa representava "uma perversão" da figura de Tintim, a Moulinsart procurou boicotar a editora da obra, as Edicions de Ponent, e a distribuidora, e tentou que a cadeia de lojas FNAC deixasse de a vender. Gorada esta tentativa, os advogados dos herdeiros de Hergé voltaram à carga em Maio passado, tendo conseguido da editora um acordo pelo qual esta se compromete a não reeditar o livro.

Falando ao diário El País, Antonio Altarriba afirmou que a sua abordagem à figura de Tintim foi escolhida para tratar duas questões: "A ausência da passagem do tempo - Tintim é sempre adolescente - e a abolição da presença feminina - nas suas aventuras nunca há mulheres", explicou. O seu Tintim "já não é o herói luminoso e solar da sua juventude. É crepuscular, sofreu derrotas e vê que as coisas são difíceis. É como se tivesse aterrado numa realidade mais dura, na qual triunfam não os ideias da sua juventude, mas o dinheiro".

Comentando o desfecho do caso, Altarriba disse: "Sou um escritor e sou totalmente contra o plágio, mas a utilização de figuras que já existem é comum. Usei muitas personagens do passado nos meus livros e nunca tive problemas. Mas depois disto, nunca mais escreverei sobre Tintim".

O escritor lamentou ainda que o estrito controlo dos herdeiros de Hergé impeça qualquer tipo de revisão da personagem de Tintim. |- E.B. com Lusa e 'The Daily Telegraph'

In Diário de Notícias
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