Tintin na Rádio Renascença

Publié le par Zetantan

A fantasia, o humor e a imaginação são as verdadeiras férias da inteligência. Para voltar a dar um pouco de frescura à vida universitária, nada como associá-la a um romance de aventuras.
Suponhamos então que um bólide provindo das profundezas do cosmos venha plantar-se no meio do Oceano Árctico: uma equipa de investigadoras, de astrónomos e de físicos parte num navio, o Aurora, à procura desse fragmento sideral que se imagina contenha um novo metal.

Os cientistas que a compõem, conduzidos pelo Professor Calis, são acompanhados pelo jovem repórter belga Tintin e pelo capitão do barco chamado Haddock.

Quem não reconhece aqui os elementos da Estrela Misteriosa, a famosa banda desenhada que soube divertir milhões de leitores?

E que universidade não desejaria ver figurar, entre os membros da expedição, um dos seus professores? Numa época como a nossa onde o recrutamento dos estudantes passa por numerosas e dispendiosas campanhas de propaganda, confiadas a empresas comerciais, haverá melhor publicidade para uma universidade do que ter o seu nome numa das mais populares obras da literatura juvenil (de uma juventude que vai dos 7 aos 77 anos)?

Não se percebe então por que motivo a Universidade de Coimbra demorou tanto a explorar o potencial semiótico e mitológico de um dos álbuns mais lidos no mundo. E todavia, teria toda a autoridade para o fazer se nos lembrarmos que é o Prof. Pedro João dos Santos que aí a representa, designado como o “célèbre physicien de l’Université de Coimbra”. Mas esta estranha negligência acaba de ser corrigida por ocasião da Universidade de Verão que a Universidade de Coimbra organizou em Julho passado: neste ano que é o ano de Galileu, a nossa secular instituição lembrou-se finalmente da Estrela Misteriosa.

Podemos questionar as razões de um tão longo esquecimento (a narrativa de Hergé data de 1945). Invocaremos motivos ideológicos, quaisquer que sejam? Poderemos supor que os lentes de Coimbra ignoravam, até hoje, a existência de um dos seus pares na galeria das personagens dos álbuns Tintin? Ter-se-á considerado a encantadora ficção de Hergé atentatória da dignidade e da gravidade da ciência?

O facto é que o Prof. Pedro João dos Santos permaneceu tempo demais escondido de todos…

Esperemos que uma nova carreira o espere agora, pelo menos na publicidade, como imagem de marca da nossa Universidade de Verão. A Coimbra cabe ser não apenas “cidade do conhecimento” mas também a cidade da juventude de espírito e do sorriso da inteligência.



Cristina Robalo Pereira

 

http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=102&did=71018

 

Publié dans Tintim em Portugal

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