Edições Asa adquirem os direitos de Tintin

Publié le par Zetantan

Insatisfação com as vendas é a principal razão para pôr fim ao contrato. O herói da BD franco-belga vai mudar de nome na nova colecção de aventuras

Depois de figurar durante mais de 20 anos no catálogo da Editorial Verbo, Tintin passará a ser publicado pela Edições Asa a partir de 2010. A editora Casterman, detentora universal dos direitos das aventuras do herói belga, pôs termo em Janeiro passado ao acordo que a ligava à Verbo desde 1988.

A principal razão, explicou ao PÚBLICO Willy Fadeur, director do departamento de direitos internacionais daquela editora, foi a "insatisfação" com as vendas dos álbuns, consideradas "insuficientes tendo em conta a notoriedade do herói e do seu criador".

As diligências para encontrar um sucessor começaram de imediato e terminaram com a escolha da Asa. "Para nós, o mercado português, francófilo e bedéfilo, é de primeira linha", diz Fadeur. "Sempre mantivemos com ele excelentes relações profissionais e de amizade. Iremos fazer tudo para relançar Tintin em Portugal com grande entusiasmo", garantiu. Os valores do negócio não foram divulgados.

Maria José Pereira, responsável pelo departamento de BD da Asa, assegura que os primeiros álbuns estarão nas livrarias na Primavera de 2010. O objectivo do editor português é pôr no mercado toda a colecção de aventuras de Tintin (24 álbuns) antes da saída, prevista para 2011, da longa-metragem que o cineasta americano Steven Spielberg está a rodar.

O editor português já trabalha em novas traduções e assegura que o herói vai recuperar o seu nome original - Tintin em vez do Tintim que surgia nos álbuns da Verbo: "É o nome da personagem e uma marca. Não há razão para não fazermos a alteração."

Maria José Pereira confirmou também que está a ser preparado um ambicioso programa de lançamento da série, cujos detalhes só começarão a ser conhecidos em Novembro.

A mudança de editor, negociada com êxito num período de tempo relativamente curto, é uma boa notícia para toda a gente. As Edições Asa ganham para o seu catálogo uma das séries mais emblemáticas (e também mais lucrativas) da banda desenhada mundial. Os fãs da série, por seu lado, podem contar com uma presença mais agressiva do herói no mercado português, onde sempre teve um lugar relativamente discreto.

A Casterman ganha alguma margem de manobra relativamente à sociedade Moulinsart, gestora dos direitos mundiais de Hergé, que rendem mais de 16 milhões de euros por ano. Nick Rodwell, marido de Fanny Vlaminck (segunda mulher de Hergé e herdeira do património do artista) e administrador da Moulinsart, exprimiu em Abril o seu descontentamento com a forma como o editor franco-belga tem gerido os direitos sobre os álbuns de Tintin. Nunca foi oficialmente afirmado, mas admitia-se nos meios ligados à BD que as divergências pudessem acabar em divórcio entre os dois parceiros.

Passados quase seis meses, não houve novos desenvolvimentos e Wil-ly Fadeur, interpelado sobre o assunto, foi lacónico: "A Casterman é contratualmente o gestor mundial dos direitos das aventuras de Tintin e tenciona continuar a sê-lo".

Portugal foi o primeiro país não francófono a publicar Tintin, em 1936 (revista O Papagaio). Foi também o primeiro país do mundo onde se puderam ler as aventuras do famoso jornalista a cores, ainda antes de isso acontecer na Bélgica ou em França. O herói surgiu mais tarde em outras publicações periódicas, comoO Diabrete,Cavaleiro Andante,FoguetãoeZorro. A partir de 1968 teve uma publicação própria - a revistaTintin- que saiu até 1982.

Carlos Pessoa in Público

Publié dans Imprensa

Pour être informé des derniers articles, inscrivez vous :

Commenter cet article