Imprensa


Lundi 28 septembre 2009 1 28 /09 /2009 19:59
- Par Zetantan

Insatisfação com as vendas é a principal razão para pôr fim ao contrato. O herói da BD franco-belga vai mudar de nome na nova colecção de aventuras

Depois de figurar durante mais de 20 anos no catálogo da Editorial Verbo, Tintin passará a ser publicado pela Edições Asa a partir de 2010. A editora Casterman, detentora universal dos direitos das aventuras do herói belga, pôs termo em Janeiro passado ao acordo que a ligava à Verbo desde 1988.

A principal razão, explicou ao PÚBLICO Willy Fadeur, director do departamento de direitos internacionais daquela editora, foi a "insatisfação" com as vendas dos álbuns, consideradas "insuficientes tendo em conta a notoriedade do herói e do seu criador".

As diligências para encontrar um sucessor começaram de imediato e terminaram com a escolha da Asa. "Para nós, o mercado português, francófilo e bedéfilo, é de primeira linha", diz Fadeur. "Sempre mantivemos com ele excelentes relações profissionais e de amizade. Iremos fazer tudo para relançar Tintin em Portugal com grande entusiasmo", garantiu. Os valores do negócio não foram divulgados.

Maria José Pereira, responsável pelo departamento de BD da Asa, assegura que os primeiros álbuns estarão nas livrarias na Primavera de 2010. O objectivo do editor português é pôr no mercado toda a colecção de aventuras de Tintin (24 álbuns) antes da saída, prevista para 2011, da longa-metragem que o cineasta americano Steven Spielberg está a rodar.

O editor português já trabalha em novas traduções e assegura que o herói vai recuperar o seu nome original - Tintin em vez do Tintim que surgia nos álbuns da Verbo: "É o nome da personagem e uma marca. Não há razão para não fazermos a alteração."

Maria José Pereira confirmou também que está a ser preparado um ambicioso programa de lançamento da série, cujos detalhes só começarão a ser conhecidos em Novembro.

A mudança de editor, negociada com êxito num período de tempo relativamente curto, é uma boa notícia para toda a gente. As Edições Asa ganham para o seu catálogo uma das séries mais emblemáticas (e também mais lucrativas) da banda desenhada mundial. Os fãs da série, por seu lado, podem contar com uma presença mais agressiva do herói no mercado português, onde sempre teve um lugar relativamente discreto.

A Casterman ganha alguma margem de manobra relativamente à sociedade Moulinsart, gestora dos direitos mundiais de Hergé, que rendem mais de 16 milhões de euros por ano. Nick Rodwell, marido de Fanny Vlaminck (segunda mulher de Hergé e herdeira do património do artista) e administrador da Moulinsart, exprimiu em Abril o seu descontentamento com a forma como o editor franco-belga tem gerido os direitos sobre os álbuns de Tintin. Nunca foi oficialmente afirmado, mas admitia-se nos meios ligados à BD que as divergências pudessem acabar em divórcio entre os dois parceiros.

Passados quase seis meses, não houve novos desenvolvimentos e Wil-ly Fadeur, interpelado sobre o assunto, foi lacónico: "A Casterman é contratualmente o gestor mundial dos direitos das aventuras de Tintin e tenciona continuar a sê-lo".

Portugal foi o primeiro país não francófono a publicar Tintin, em 1936 (revista O Papagaio). Foi também o primeiro país do mundo onde se puderam ler as aventuras do famoso jornalista a cores, ainda antes de isso acontecer na Bélgica ou em França. O herói surgiu mais tarde em outras publicações periódicas, comoO Diabrete,Cavaleiro Andante,FoguetãoeZorro. A partir de 1968 teve uma publicação própria - a revistaTintin- que saiu até 1982.

Carlos Pessoa in Público


Mardi 21 juillet 2009 2 21 /07 /2009 19:30
- Par Zetantan

Banda desenhada contribuiu para alimentar o imaginário do espaço.

Musa inspiradora de poetas e escritores, pintores e escultores, a Lua também não deixou indiferente os criadores de banda desenhada, tendo alguns enviado até lá os seus heróis de papel. Fez ontem 40 anos que o Homem chegou à Lua.

O mais célebre de todos os astronautas da banda desenhada é, com certeza, Tintin que por lá andou quase 20 anos antes de Neil Armstrong, no diptíco "Rumo à Lua"/"Explorando a Lua" começado a publicar a 30 de Março de 1950. Partindo da imaginária Sildávia, num foguetão concebido pelo Professor Tournesol, numa viagem com imensas semelhanças com aquela que a NASA organizou em 1969, Tintin, Haddock, Milu e os Dupont foram até ao satélite da Terra numa aventura que, se se enquadra no tom aventuroso normal da série, é também bastante plausível do ponto de vista científico, graças à profunda investigação que Hergé levou a cabo antes de a iniciar. Mais tarde, o autor voltaria ao tema, narrando, numa BD de apenas quatro páginas, a aventura vivida por Armstrong.

À mesma Lua, por diversas vezes, foram os heróis Disney. Numa das mais famosas, "The Loony Lunar Gold Race", escrita pelo "homem dos patos", Carl Barks, em 1964, Donald e Patinhas procuram lá ouro, mas Mickey e Pateta também foram astronautas mais do que uma vez, como agora, na recém-editada "Topolino e il guardiano lunare", que assinala os 40 anos da chegada do homem à Lua. Claro está, nunca se cruzaram com o solitário Astronauta, de Maurício de Sousa, que percorre o espaço na sua nave esférica, nem com o Spirit de Will Eisner e Wally Wood, que também lá foi, em perseguição de um criminoso, no ano de 1952, em "Outer Space". E se os heróis Disney, mais do que uma vez encontraram selenitas, no insuspeito policial Dick Tracy, criação célebre de Chester Gould, o filho do protagonista desposava uma bela... lunática. Da Lua provinha também a pedra que dava super-poderes à Moon Girl, uma super-heroína dos anos 40, criada por Max Gaines, Gradner Fox e Sheldon Moldoff, com vários pontos de contacto com a Mulher Maravilha, bem como o broche que transforma Usagi Tsukino na bela Sailor Moon, reencarnação de uma guerreira lunar e protagonista do manga a que dá título.

A adaptação do sucesso televisivo "Espaço 1999", que teve edição portuguesa, mostrou o nosso satélite como base de naves espaciais, ideia usada em muitas outras histórias aos quadradinhos de ficção-científica, como é o caso de "Nathan Never", um polícia que vive 200 anos no futuro, originário da Casa das Ideias Bonelli, imaginado por Medda, Serra e Vigna em 1988.

Para além disso, essa mesma Lua, onde o trapalhão Gaston Lagaffe, de Franquin, tem permanentemente a cabeça, testemunhou alguns dos banquetes de Astérix, Obélix e dos outros gauleses irredutíveis, assistiu aos oníricos passeios na cama andante do Little Nemo, de Winsor McKay, e foi companhia dos devaneios do errante Corto Maltese, de Hugo Pratt.

A terminar, duas curiosidades: em "Carson de Vénus", que o Mundo de Aventuras publicou há cerca de um quarto de século, uma novela de Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan, adaptada aos quadradinhos por Mike Kaluta, o herói, após meses de exaustivos preparativos, parte rumo a Marte, acabando por chegar a Vénus... por se ter esquecido da Lua nos seus cálculos! E dez anos antes de Armstrong descer na Lua, numa tira diária publicada no jornal inglês "Daily Express" de 21 de Novembro de 1959, Jeff Hawke, herói de ficção-científica criado por Sydney Jordan, para assinalar a sua presença no satélite terrestre, colocava uma placa na qual se lia esta previsão quase exacta: "A 4 de Agosto do ano terrestre de 1969, o primeiro ser pisou a Lua. Chamava-se Homo sapiens"!

F. Cleto e Pina

Jornal de Noticias


Samedi 11 juillet 2009 6 11 /07 /2009 17:28
- Par Zetantan
Já está à venda o n°. 5 da VISÃO História. Integralmente dedicado à «conquista» da Lua, esta edição assinala os 40 anos da primeira viagem tripulada ao nosso satélite natural, ocorrida entre 16 e 24 de Julho de 1969. Muitos leitores terão ainda memória da data histórica de 20 desse mês, o dia em que o Homem -concretamente, o astronauta americano Neil Armstrong -pisou pela primeira vez outro planeta. Grande parte da população mundial ficou, nessa madrugada, agarrada aos televisores.
A VISÃO História conta tudo sobre a triunfal viagem da Apollo 11, desde os primórdios dos foguetes na Idade Média até ao pequeno passo gigante de Armstrong, passando pelos primeiros estudos de astronáutica no século XIX. Deixa-se ainda falar os que ainda hoje não acreditam que fomos à Lua, recorda-se a vinda dos astronautas a Portugal, explica-se como a tecnologia espacial mudou as nossas vidas e afasta-se uma ponta do véu que cobre o futuro da exploração espacial.
Este número conta com um artigo intitulado «Armstrong ou Tintin?», onde se realça que os primeiros seres humanos a pisarem a Lua «foram» Tintin e o Capitão Haddock! O artigo é ilustrado com duas capas da extinta revista «Cavaleiro Andante» que entre Outubro de 1953 e Dezembro de 1955 publicou os dois episódios lunares de Tintin.

Samedi 13 juin 2009 6 13 /06 /2009 23:08
- Par Zetantan
Concebido pelo Prémio Pritzker francês Christian de Portzamparc, vai dar a conhecer o homem, o autor, a sua obra e a sua vida.

Com dois anos de atraso sobre a data desejada, já que o centenário do nascimento do criador de Tintim se celebrou em 2007, o Museu Hergé (www.museeherge.com) foi apresentado na segunda-feira, em Louvain-la-Neuve, nos arredores de Bruxelas. Abre as portas ao público no próximo dia 2 de Junho.

Projectado pelo arquitecto francês Christian de Portzamparc (ver perfil), o museu foi prejudicado na sua construção devido às divergências entre a Fundação Hergé, impulsionadora do projecto, e a administração pública belga, que não conseguiram chegar a um acordo para a instalação da instituição em Bruxelas, a cidade natal de Georges Remi, aliás Hergé.

A primeira pedra do edifício foi finalmente colocada, a 21 de Maio de 2007, por Fanny Rodwell, segunda mulher do autor e presidente daquela fundação. Nos três andares e nove salas do museu (uma delas de exposições temporárias) em forma de prisma, com uma área de 3600 metros quadrados, os visitantes encontrarão cerca de 900 desenhos e pranchas originais de Hergé, objectos pessoais do autor, documentos e fotografias familiares. Assim poderão "penetrar no mundo de Hergé, descobrir a sua vida, o que amava, as suas viagens, os animais de que gostava, a sua paixão por carros e sobretudo "o homem multifacetado" que ele era, disse na conferência de imprensa Laurent de Froberville, o director do Museu Hergé.

Tintim, a criação maior de Hergé, "o artista do século XX", estará naturalmente "omnipresente", mas segundo aquele responsável, o museu quer ir "mais além de Tintim" para dar a conhecer "a obra de Hergé em toda a sua amplitude, que inclui muitas outras personagens, para além das suas criações como desenhador gráfico ou publicitário", e "submergir no seu processo criativo". Frisou Laurent de Froberville: "É um museu em honra de Hergé, em que falamos do autor, do homem, da sua vida, da sua obra", em todas as facetas.

Devido à fragilidade dos documentos expostos, as peças rodarão todos os quatro meses, evitando que se deteriorem e para que os visitantes descubram novas obras se voltarem a visitar o museu.

A proibição de reproduzir imagens da colecção e de tirar fotografias causou alguma controvérsia na cerimónia de apresentação do Museu Hergé aos media, o que levou alguns jornalistas presentes a protestar e a abandonar a conferência de imprensa.

O edifício, definido pelo jornalista Pascal Mallet, da AFP, como "um grande navio translúcido", foi concebido por Christian de Portzamparc como a recriação de "um mundo enfeitiçador", o de Hergé, "num grande barco encalhado à beira da floresta". Explicou o arquitecto sobre a claridade que predomina no museu : "Não gosto de labirintos obscuros."

O director disse que as estimativas apontam para que o Museu Hergé receba 200 mil visitantes por ano, mas Laurent de Froberville não ficará surpreendido se "a reputação de Hergé" atrair um número superior.

in http://dn.sapo.pt/inicio/artes/inter...&seccao=Livros

Dimanche 31 mai 2009 7 31 /05 /2009 12:27
- Par Zetantan

***José Milhazes, da Agência Lusa***

Moscovo, 31 Mai (Lusa) - A Rússia foi talvez o último país do mundo aonde chegaram os livros de Tintim, não obstante este herói da BD ter tido a sua primeira aventura precisamente no "País dos Sovietes".

O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se "Os Charutos do Faraó".

Os especialistas russos em história da banda desenhada não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé "Tintim no País dos Sovietes" (1929), obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada "anticomunista" e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.

Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra "Moscou sans voiles", de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética.

Alguns episódios do primeiro álbum de Hergé são uma ilustração exacta de episódios descritos por Joseph Douillet, como, por exemplo, "as eleições democráticas" na aldeia com uma pistola apontada à cabeça.

Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de banda desenhada europeia consideram aí residir uma das causas da "falta de qualidade" dessa obra.

"Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma banda desenhada bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina, reconhecendo, porém, que "há lugares divertidos".

Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o facto de "Tintim no País dos Sovietes" ter sido "o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado".

"Só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um", sublinha Khatchaturov.

Não obstante o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros heróis da banda desenhada como Astérix. "Os Charutos do Faraó" foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado livreiro tão imenso como é o russo.

Tintim parece ter-se irremediavelmente atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem sovietes.


Lusa/fim.

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