«Tintim no Congo» alvo de novas acusações de racismo
O grupo norte-americano Borders anunciou a decisão na quinta-feira depois da denúncia da Comissão Britânica para a Igualdade Racial (CRE) de que o livro teria um «caráter racista». A história foi criada em 1930, quando a Bélgica colonizava o Congo.
«Ficamos surpresos porque pensávamos que a polémica já tivesse terminado», declarou Marcel Wilmet, porta-voz do estúdio dirigido pela viúva de Hergé.
«O próprio Hergé chamava de “pecado de juventude” o Tintim no Congo, o seu segundo livro. Até fez algumas poucas alterações, mas não muitas, porque, para ele, a história testemunhava o espírito de uma época», acrescentou o porta-voz.
De acordo com a comissão britânica, alertada por um cliente da Borders, os congoleses são descritos como «indígenas selvagens parecidos com macacos e que falam como imbecis».
Na República Democrática do Congo o livro é vendido sem problemas, observou Wilmet, para quem os leitores congoleses contaram o «seu contentamento de ver que os brancos também são representados como idiotas».
Segundo ele, «é verdade que a Egmont, editora britânica do Tintim, há muito tempo se recusou a editar este livro, justamente devido ao seu caráter colonial, às cenas de violência e até à presença de católicos missionários».
Mas «a editora acabou por ceder à pressão dos aficionados que reclamavam que as 24 aventuras do pequeno repórter não fossem todas editadas em inglês». Há dois anos o livro foi publicado com uma advertência.
Na etiqueta, Egmont especificava que se tratava de uma obra para coleccionadores e que o seu conteúdo poderia chocar. A advertência não impediu que se esgotassem os 30.000 exemplares postos à venda.In Diário Digital