Tintim nas mãos de Steven Spielberg

Publié le par Zetantan

dnÉ no Natal de 2011 que se estreia 'O Segredo do Unicórnio', o primeiro dos filmes de Steven Spielberg e Peter Jackson adaptados de álbuns de Tintim, e realizados em 3D digital. Muitos apreciadores do herói de Hergé temem que Spielberg o vá descaracterizar. Desde os anos 80 que Spielberg queria levar Tintim ao cinema.

Quando Steven Spielberg descobriu o universo de Tintim, no início dos anos 80, depois de ler uma crítica a Os Salteadores da Arca Perdida, que fazia associações com as aventuras do herói de Hergé, teve um encontro em Hollywood com dois representantes de Hergé. A certa altura, o realizador, completamente ignorante de banda desenhada franco-belga, referiu-se a Tintim como sendo "Indiana Jones para miúdos". Foi o suficiente para deixar arrepiados os enviados de Hergé, e roça a blasfémia para qualquer apreciador de Tintim que se preze, mas o autor sentiu-se lisonjeado pelo realizador de Tubarão conhecer a sua obra, e considerava-o "ideal" para levar Tintim ao cinema

Alguns anos e uma viragem de século depois, Steven Spielberg, associado a Peter Jackson, que co-produz e "dá" os efeitos especiais através da sua empresa, a Weta Digital, concretizou finalmente o seu projecto de filmar as aventuras de Tintim, mas agora já sem referências a Indiana Jones.

Spielberg quer que os filmes, co-produzidos pela Paramount e pela Sony, sejam visualmente o mais possível semelhantes ao estilo gráfico de Hergé, e está a rodá-los em 3D digital, pelo sistema de motion capture , para que tudo, das personagens aos cenários, seja familiar aos leitores de Tintim. Mesmo assim, são muitos os que temem que Tintim seja descaracterizado, americanizado e, pior do que tudo, "spielberguizado". (Jackson diz ser um grande fã de Tintim, o que não é um consolo para os detractores destes novos filmes).

A adaptação de O Segredo do Unicórnio está em pós-produção, com estreia marcada para o Natal de 2011. Seguem-se, em 2013, a segunda parte da aventura, O Segredo de Rackham, o Terrível, desta vez realizada por Peter Jackson, e talvez um terceiro filme, lá mais para diante, que poderá ser assinado a meias por Spielberg e Jackson.

Tintim é agora interpretado por Jamie Bell (Billy Elliot) e Andy Serkis (o digitalizado Gollum de O Senhor dos Anéis), personifica o capitão Haddock.

Foi em 1984, pouco depois da morte de Hergé, um ano antes, que Spielberg comprou os direitos para cinema dos álbuns de Tintim, com a ideia de entregar a realização do primeiro filme a François Truffaut (que morreria também, pouco meses depois) e dar os papéis de Tintim a Henry Thomas (!), o miúdo de E.T.-O Extraterrestre, e do capitão Haddock a Jack Nicholson.

A argumentista Melissa Matheson, que tinha "apresentado" Tintim a Spielberg escreveu várias propostas de sinopses, mas todas adulteravam o espírito dos álbuns, e a ligação entre o realizador e os representantes de Hergé acabou por se desfazer, amigavelmente. Só em 2002 Steven Spielberg voltaria a deter os direitos para cinema dos álbuns de Tintim.

Quer a Moulinsart, que gere o património de Hergé, quer a editora Casterman, que tem os direitos dos álbuns até 2011, pensam beneficiar muito com os filmes, que, esperam, ajudarão a vender mais títulos nos EUA onde a BD franco- -belga nunca se impôs, e também seduzir uma nova geração de leitores.

Curiosidade: também nos anos 80 Roman Polanski quis filmar O Ceptro de Otokar, por gostar muito do ambiente balcânico da história, mas o projecto morreu e Polanski foi rodar Frenético.

Eurico de Barros in DN

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